terça-feira ,26 setembro 2017
Home / Turismo e meio ambiente / Cultura / A última parteira da Serra das Maravilhas

A última parteira da Serra das Maravilhas

SERTAO1 JOAO PINHEIRO MG 09 01 2017 NACIONAL EMBARGO SERTAO VEREDAS/ESPECIAL Joaquina Gonçalves dos Santos, 85 anos, foi parteira na Serra das Maravilhas, região de João Pinheiro, Minas Gerais. FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Joaquina Gonçalves dos Santos, 85 anos, foi parteira na Serra das Maravilhas, região de João Pinheiro, Minas Gerais

Numa casa de telhas e barro mora Joaquina Gonçalves dos Santos, de 85 anos, e sua filha Osvaldina Lemos do Prado, de 59. Alta, magra e de sorriso sereno, Joaquina é nora de Geminiano. Os pais dela, Brasilina e Avelino Gomes dos Santos, foram agricultores que passaram a vida toda na Serra das Maravilhas. “Fui parteira aqui. Peguei menino de perder a conta. Nunca tive problema, não. Era só na reza, não dava nada para a mulher tomar. Só depois, um chá”, lembra. “Mas me aposentei.” Ela se esforça para lembrar da última criança que ajudou a trazer ao mundo. “Foi o filho de um vaqueiro, do começo da serra, da fazenda do seu Abel. Mas faz muito tempo, uns 20 anos.”

Osvaldina conta que há seis anos nasceu a última criança do lugar. “Mas nasceu no hospital da cidade. É de uma família que não mora mais aqui. De lá pra cá não nasceu ninguém. Só sai gente”, relata. “Sei porque foi na mesma época em que resolveram fechar a escolinha”, completa. “As pessoas mais novas foram tentar a vida em João Pinheiro, em Brasília, bem longe daqui, onde tem emprego. Ficou quem é velho, não aguenta mais andar direito, suportando esse calorzão que só aumenta de ano para ano.”

Joaquina afirma que o cerrado de seu tempo de parteira era de muita chuva. “Chovia muito mais.” Ela mostra o chão em volta da casa, duro, rachado. Mais adiante, uma plantação de mandioca sem vida. “Não tem mais como plantar nada, não. Por isso, o pessoal foi embora. Tudo era vereda cheia de água, muita. Precisava conhecer o tempo da jataí, dava uma abelha nesses buritis, nesses jatobás.”

O Rio Verde, que vai desaguar no Paracatu, está mais adiante. Do lado de cá, onde fica a casa de Joaquina, os sitiantes que restaram não tiveram recursos para canalizar a água do rio. Da outra margem, onde se instalaram grandes empresários do setor agrícola, tubulações retiram toda a água que ainda resta do Verde, de outros cursos e das veredas, para suas plantações mecanizadas. O negócio do eucalipto e da cana trouxe divisas, mas não gerou emprego nem fixou os moradores das Serra das Maravilhas na região.

Fonte:Leonencio Nossa- Dida Sampaio

Você pode Gostar de:

Acidente com saída de pista na MGC-354 deixa três pessoas feridas

O carro colidiu violentamente contra uma árvore após a perda do controle direcional Pelo menos …

Loading Facebook Comments ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *