quarta-feira ,18 outubro 2017
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Folia de Reis será declarada patrimônio imaterial de Minas Gerais

folia

Ainda bem criança, o menino se encantava com as danças, roupas, músicas e, principalmente, com a tradição que avós, tios e primos mais velhos levavam para a frente do presépio. Hoje, mais de seis décadas depois – e sempre com muita participação e fé – Antônio Pinto de Carvalho, de 69 anos, morador de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, se emociona, e ao mesmo tempo se alegra, ao segurar a bandeira dos Três Reis Magos e louvar José, Maria e o Menino Jesus. Integrante do grupo de folia de reis “Os capela nova” (assim mesmo, com apenas o artigo no plural), o aposentado, casado, pai de cinco filhos e avô seis vezes, acredita que é fundamental manter o costume católico e aplaude a decisão do Conselho Estadual de Patrimônio (Conep) que, em 6 de janeiro, Dia de Reis, vai declarar as folias de reis como patrimônio cultural imaterial de Minas.

“A Folia de Reis é um respeito ao nascimento de Jesus. Até o dia 6, nosso grupo visita os presépios de Betim, cantando e tocando viola, violão, acordeão, caixa e chocalho”, conta Antônio com entusiasmo, enquanto vai vestindo a roupa vermelha e colocando, sobre o rosto, a máscara feita de couro e chita, para representar os reis Belchior, Baltazar e Gaspar, que visitaram o menino Jesus na gruta de Belém. Fazendo a quarta voz no grupo e tocando violão, o aposentado diz que se considera um “verdadeiro descendente” dos foliões, tal a tradição na família.

Já incorporando o personagem, Antônio canta um versinho “São José e Nossa Senhora, no bolsinho que trazia, partiu um lenço em quatro pedaços, e o Menino já cobria” e diz que participa da folia há 60 anos. “Precisamos manter essa manifestação cultural tão importante. Na atualidade, há jovens que gostam e outros que preferem, infelizmente, as drogas”, afirma o aposentado, que é voluntário num grupo de recuperação e prevenção de dependentes químicos.

PESQUISA

Depois de um ano de pesquisas, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) vai apresentar ao Conep, no dia 6, um estudo que identificou, no estado, cerca de 1,5 mil grupos de folias de reis, pastorinhas, terno, charola e outros, informa a presidente da instituição, Michele Arroyo. Conforme o levantamento, os grupos de 285 municípios foram cadastrados, abrangendo todos os 17 territórios estaduais demarcados pela atual gestão. Com 106 grupos, Uberaba, na Região do Triângulo, é o município com maior número de grupos cadastrados. Em seguida, João Pinheiro, na Região Noroeste do estado, aparece com 34. Pedra Azul conta com 13 folias, no último levantamento

As folias existem em Minas desde os tempos coloniais, encontrando terreno fértil primeiro nas fazendas, depois no meio urbano, sempre no período natalino. “É fundamental a presença de um presépio para essa manifestação cultural”, afirma Michele, destacando que a condição de patrimônio imaterial vai criar um diálogo maior com as comunidades, de forma a verificar as necessidades de cada uma, que podem ser falta de recursos, de roupas, instrumentos ou transporte. “Trata-se de uma forma de zelar pela manifestação, com políticas de salvaguarda. Por isso mesmo, estamos com a exposição de presépios no Circuito Liberdade, na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul da capital.”

Fonte: Estado de Minas

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