sexta-feira ,21 julho 2017
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O dia a dia do homem e do brasileiro

Somos homo sapiens puros ou mesclados com neandhertais. A ciência ainda não deu sua última palavra. Pouco importa.  

O fato é que o homem, no cotidiano, é triste. Basta ver a ansiedade com que espera os fins de semana e as episódicas viagens de passeio. O problema é que a maioria não se realiza em seu trabalho.

Ressalvada a minoria de criativos (literatos, cientistas, parte dos profissionais liberais etc), a maioria, desde cedo, se insere melancolicamente na “democracia” e na economia de mercado.

No plano político, o homem simples não é um ator. Limita-se a receber notícias que, como sabemos, não é a verdade dos bastidores e refletem meias verdades. No campo da economia, geralmente é assalariado. Produza mais ou menos, crie mais ou menos, o salário é mensal e invariável, salvo nas posições de cúpula.

Pouco se lhe dá a sorte da empresa, porquanto o engrandecimento desta não corresponde a engrandecimento dele. É o velho problema da alienação. Em nosso país, trataram de confinar a limites enganosos o importante instituto da participação dos empregados nos lucros das empresas num insípido “PLR”,  o que significaria, se real, conjunção das sortes entre empregados e empregadores. No Japão essa conjugação foi tão importante que, em certo momento, o governo se viu obrigado a pedir aos empregados que trabalhassem menos.

O embrutecimento num trabalho repetitivo e depressivo, não raro deslocado das formações educacionais e do desenvolvimento cultural, é tão acentuado que, segundo pesquisas, é grande o número de suicídios por empregados e funcionários públicos na França,  um suposto mundo de satisfação pessoal. Sem falar na também imaginária “saída” pelo álcool e pelas drogas, ou no recrutamento pelo Exército Islâmico.

O Brasil é um País de salários muito baixos acrescidos de penduricalhos que, proporcionais a esse salário, são ilusórios, como FGTS, PIS e outros derivativos atrelados àqueles. De ilusão básica em ilusões emergentes, caminham todos.

Um governo de salvação nacional fica na periferia dos fatos, enganando-se igualmente. Fala-se da crise da previdência social sem que o Presidente venha a público para exprimir concretamente seu conteúdo, provocando, assim, um debate superficial.

Desse modo caminhamos e envelhecemos. Postos na camisa de força de um mundo material em que nossa liberdade profunda não existe. Nossos espíritos – brasileiros – com as raras exceções, não se largam a aventuras desafiantes, tal qual a criatividade no trabalho, o domínio da cultura e consequente aperfeiçoamento do eu interior e da realidade exterior, a democratização da ciência, o culto das artes. As crianças não abandonam por um minuto seus celulares e joguinhos.  Nossas “Universidades” são criadas em quantidade e são péssimas em qualidade, na proporção em que seu número cresce. A realidade é a mesma de um século; as universidades públicas são as únicas responsáveis pelo saber brasileiro, quando as escolas “superiores” privadas fazem parte do teatro das ilusões.

Alterar esse “status quo” não é coisa para um homem ou um partido político. Agravado o problema pela falta de líderes políticos, consequência dessa degradação paulatina de nossa educação e cultura, o desafio de criar um País saudável e prazeroso de viver é assombroso.

Amadeu Roberto Garrido de Paula, é Advogado e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas.  

Esse texto está livre para publicação. Se precisar de  mais informações ou quiser agendar uma entrevista com Amadeu Garrido de Paula entre em contato na  De León Comunicações, nos telefones (11) 5017-7604// 99655-2340 ou e-mail bruna@deleon.com.br.

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