segunda-feira ,24 julho 2017
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Odebrecht diz que disponibilizou R$ 150 milhões para campanhas de Dilma Na delação premiada

Marcelo Odebrecht não esclareceu se recursos foram de caixa 2. Desde que denúncias surgiram, Dilma tem negado que pediu ou autorizou pagamentos indevidos.

O empresário Marcelo Odebrecht afirmou em depoimento que a construtora disponibilizou um total de R$ 150 milhões para as campanhas presidenciais de Dilma Rousseff em 2010 e em 2014. No acordo de delação premiada, contudo, o executivo não esclareceu se esses recursos foram doados por meio de caixa 2 (entenda detalhes sobre os repasses mais abaixo).

O depoimento, no âmbito da Lava Jato, foi prestado no ano passado e o sigilo, retirado nesta terça-feira (11) pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da operação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em março deste ano, Odebrecht também depôs ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na ação que pede a cassação da chapa por Dilma e Michel Temer (à época candidato a vice), e disse que a construtora doou R$ 150 milhões para a campanha presidencial de 2014.

O G1 não conseguiu contato com a assessoria de Dilma para comentar a delação de Odebrecht na Lava Jato.

Quando o empresário prestou depoimento ao TSE, a ex-presidente divulgou nota na qual disse ser “mentirosa” a informação de que ela “teria pedido recursos ao senhor Marcelo Odebrecht ou a quaisquer empresários, ou mesmo autorizado pagamentos a prestadores de serviços fora do país, ou por meio de caixa dois, durante as campanhas presidenciais de 2010 e 2014.”

A delação

No depoimento, Marcelo Odebrecht afirmou que as contribuições para as duas campanhas foram discutidas com Guido Mantega, ministro da Fazenda nos governos Lula e Dilma.

De acordo com o empresário, dos R$ 150 milhões, R$ 50 milhões foram pagos em 2010, como contrapartida pela aprovação, em 2009, do programa de refinanciamento de dívidas tributárias, chamado Refis, que beneficiou a empreiteira.

Segundo Odebrecht, porém, esses recursos não foram utilizados pela campanha daquele, mas, sim, a partir de 2011.

“Quando foi do Refis da crise, ele [Mantega] me disse que tinha a expectativa, ele pediu a contrapartida de R$ 50 milhões. Que ele só… para a campanha de 2010, que ele acabou não usando e só começou a usar a partir de 2011”, afirmou Marcelo Odebrecht.

Com a proximidade da campanha presidencial de 2014, acrescentou o executivo, Guido Mantega, então, pediu nova contribuição para o PT.

“Quando chegou perto da campanha de 2014, eu não sei precisar quando, os R$ 50 milhões já tinham ido embora. Aí, ele [Mantega] me disse: ‘Olha, Marcelo, você sabe o seguinte, a campanha está se aproximando, eu tenho uma expectativa de uns R$ 100 milhões aí de vocês”, relatou o executivo.

“Mas ele [Mantega] não deu o número?”, questionou o investigador. “Não, ele me disse. Tinha expectativa de 100 milhões. Por isso que eu aloquei 100 milhões”, respondeu Marcelo Odebrecht.

Versão de Mantega

O G1 também não localizou a defesa de Guido Mantega, mas, quando Marcelo Odebrecht prestou depoimento ao TSE e relatou os repasses à campanha de Dilma, a defesa do ex-ministro divulgou nota na qual disse que as informações prestadas pelo empresário “não têm o menor cabimento”.

“Isso é um absurdo, porque a MP não beneficiou especificamente a Odebrecht, mas beneficiou todo o setor produtivo que, com esta MP, sofreu uma injeção de revitalização de suas atividades pelo favorecimento tributário. […] O que se tem a dizer é que é improcedente e não faz o menor sentido. Eles falaram que os 50 milhões foi uma contrapartida que se deu no ano de 2009 para financiar a campanha das eleições de 2014. Isso é um absoluta incongruência, porque não faz sentido alguém conceder dinheiro em 2009 para doação de campanha política de 2014”, acrescentaram os advogados do ex-ministro à época.

Por G1, Brasília

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