terça-feira ,26 setembro 2017
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Produção de mel é alternativa de renda no interior de Minas Gerais

Características ambientais do estado favorecem o desenvolvimento da atividade apícola. Emater-MG oferece assistência técnica e capacitações na área

Sustentável e rentável, a apicultura – criação de abelhas para extração de mel, cera, própolis e outros produtos – tem se tornado uma alternativa para pequenos e médios produtores rurais no estado, uma vez que demanda baixo investimento.

Hoje, o Brasil produz uma média de 37 mil toneladas de mel por ano, sendo que mais da metade deste volume é exportado, rendendo ao país cerca de US$ 80 milhões. Deste total, Minas Gerais produz cerca de cinco mil toneladas, sendo o quarto maior estado produtor, segundo dados de 2015 do IBGE.

O clima e a vegetação do estado, com abundância de florestas, facilitam a produção do mel, que está centralizada nos territórios Central, Sul e Norte de Minas Gerais, sendo o último o maior produtor. Para otimizar e ampliar a atividade, o Governo de Minas Gerais, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), oferece assistência técnica aos produtores – estima-se que sejam atendidos cerca de seis mil apicultores em todo o estado – e capacitações por meio de cursos e seminários.

“Minas Gerais tem uma tecnologia muito desenvolvida para a produção de mel e vem se destacando com um produto da melhor qualidade, considerado praticamente orgânico”, explica o gerente do Departamento Técnico da Emater-MG, Dirceu Alves. “A cadeia produtiva da apicultura propicia a geração de empregos e movimentação da economia, principalmente para a agricultura familiar. É uma atividade que, feita com o correto manejo e cuidado, só causa impactos positivos”, completa.

Atualmente, os principais municípios produtores no estado são Itamarandiba, Bocaiúva e Santa Bárbara. “A disseminação da atividade e a parceria com a Codevasf foram responsáveis por dar novo impulso ao desenvolvimento da apicultura no Norte de Minas”, ressalta Alves.

A Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), autarquia vinculada ao Ministério da Integração Nacional, investe no desenvolvimento da atividade apícola em Minas Gerais como parte da Rota do Mel.

Lançada em 2011, a Rota do Mel é uma estratégia formulada pelo ministério para promover o desenvolvimento da apicultura no Brasil. As ações desenvolvidas contemplam a capacitação de produtores, distribuição de insumos (colmeias, melgueiras, suporte, cera, equipamentos de proteção individual, carretilha manual, formão, fumigador, entre outros) e a construção de unidades de extração e beneficiamento de mel de abelha. Aproximadamente 9,6 mil famílias já foram beneficiadas.

O técnico em agropecuária Joaquim Custódio Generoso, de Itamarandiba, trabalha há 35 anos com apicultura. “Na época, a empresa em que trabalhava deu um curso sobre a atividade, eu achei interessante e comecei a mexer com abelha. Naquele tempo tudo era muito difícil, porque não era uma atividade difundida em Minas. Nem as roupas protetoras encontrávamos”, conta.

Joaquim, que começou com dez colmeias, hoje tem 700, e conta com a ajuda de dois funcionários para cuidar da produção. “Retiro uma média de 50 toneladas de mel por ano. Já vivo só da apicultura desde 1994, estudei meus filhos com o mel. É uma atividade que dá uma renda bacana, e não falta mercado”, relata. O mel produzido por ele é todo exportado.

Segundo o gerente do Departamento Técnico da Emater-MG, Dirceu Alves, a maior parte do que é produzido aqui é exportado. Prova disso é que as exportações de mel no estado cresceram quase 20% de janeiro a agosto de 2016 em relação ao mesmo período de 2015, chegando a US$ 4,5 milhões no período citado, contra US$ 3,8 milhões no ano anterior. Neste período, o município de Timóteo, no Território Vale do Aço, foi a que mais exportou (dados da Fundação João Pinheiro).


 Mel da aroeira

Um dos grandes diferenciais do produto mineiro é o mel de melato da aroeira, uma substância encontrada exclusivamente no ecossistema Mata Seca, no Norte e no Noroeste mineiros. A produção deste tipo de mel é feita de forma diferenciada, já que ele não é obtido a partir do néctar das flores.

Durante a seca, as abelhas utilizam o néctar da aroeira e o melato – um líquido doce resultante do processamento da seiva da planta por insetos -, aos quais adicionam enzimas específicas, modificando os açúcares do mel. Ao contrário do produto convencional, o mel da aroeira possui uma coloração escura, é menos adocicado e não cristaliza.

Além disso, ele apresenta propriedades medicinais, como ação antimicrobiana, e, por isso, está sendo estudado pela pesquisadora da Fundação Ezequiel Dias, Esther Bastos, que mapeou os aspectos biológicos e ambientais do produto.

O próximo passo da pesquisa, em processo de finalização, é o depósito de denominação de origem no INPI, com todas as validações necessárias, que conferirá ao mel a garantia de ser um produto genuinamente mineiro, para ser explorado comercialmente.

Agroindústria

Em Januária, no Território Norte, a Emater-MG, em parceria com a Codevasf e outras instituições, reestruturou a agroindústria de mel da Associação Rural e Apícola de Januária (Arajan), que funciona desde 2010. No local, o mel da aroeira é processado e preparado para a venda em sachê e bisnaga, e os extensionistas da Emater orientam os apicultores desde a produção ao beneficiamento e comercialização do mel.

Segundo a presidente da Arajan, Luciana Américo, após a reestruturação, em outubro de 2016, a casa de mel conseguiu a certificação do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), e hoje vende para todo o estado.

“Isso abriu muitas portas. Conseguimos melhorar nosso preço, profissionalizar a atividade. Hoje, temos mais de 150 associados e muitas famílias vivem só da apicultura”, destaca Luciana.

A associação produz em média 45 toneladas por ano, mas começou produzindo cinco. “E a previsão é dobrar no ano que vem”, espera Luciana. Os produtos da Arajan são vendidos para escolas locais pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e também para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

Fotos: Divulgação / Emater-MG

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